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Monjas Beneditinas

Monjas BeneditinasA comunidade dedica-se à oração e ao trabalho, conforme o lema de S. Bento: “ORA ET LABORA”. Seu dia a dia se desenvolve entre oração comunitária e individual, Lectio divina (Leitura orante), trabalhos nas diversas oficinas e momentos de lazer e recreação na convivência fraterna. Acompanham os acontecimentos do mundo através dos meios de comunicação social para apresentarem todos e tudo ao Senhor.

O silêncio e a contemplação se entrelaçam com a alegria e descontração procurando “nada antepor ao amor de Cristo”.

Como monjas vivem do trabalho de suas mãos, seguindo os ensinamentos do Pai S. Bento.

VIDA MONÁSTICA
A monja entra no Mosteiro para procurar a Deus (Regra de S. Bento 58,7) e nesta busca corresponder à vocação de monja: monakos = “ser uma pessoa unificada”. E ser beneditina significa falar bem e abençoar.

A monja beneditina não é uma educadora, este não é o seu papel na Igreja. Ela é uma orante, uma religiosa que reza. Para ela a oração é vida de comunhão com Deus que a leva a viver em comunhão com os irmãos.

A monja é aquela que nada prefere ao amor de Cristo. É aquela que procura comunicar esta fome que não é de pão, esta sede que não é de água, mas esta fome e esta sede que é de escutar e viver a Palavra de Deus. Ela é a pessoa que encontrou o segredo da unidade tão almejada por todos.

A vida comunitária está no coração da vida monástica centrada na pessoa de Cristo. Portanto a vida monástica é viver em comunhão fraterna, para ser anúncio de um mundo mais irmão.

Este desejo de comunhão fraterna já estava presente na comunidade primitiva de Jerusalém (Atos 2,42-47; 4,35-37): a partilha dos bens, a oração, o trabalho das mãos e a vida fraterna.

OFÍCIO DIVINO
É a oração do Senhor Jesus Cristo, pela qual Ele apresenta ao Pai, com Seu Corpo que é a Igreja, pelo Espírito Santo, o louvor perfeito, “a ação de graças que lhe agrada e que é salvação para o mundo inteiro” (Missal Romano, IV Oração eucarística).

“A Liturgia que a comunidade realiza na celebração do Opus Dei, ação de Deus e dos monges, constitui a medula da espiritualidade monástica” (Constituições da Congregação Beneditina do Brasil, 147).

Como a Liturgia é nosso sustentáculo, nossa vida orbita em torno do Ofício Divino. Mas, para estarmos conscientes do que salmodiamos e nossa voz concorde com isso, precisamos praticar assiduamente a meditação da Sagrada Escritura, isto é, a Lectio divina.

Vivemos isto porque o cristianismo se plenifica na Igreja, e a Igreja só existe pela Liturgia. Portanto, o monge através da oração comunitária torna vivo o Corpo Místico de Cristo e faz com que ele cresça através de suas orações.

TRABALHO
“São Verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos.” (Regra de S. Bento).

O ambiente monástico comporta vários tipo de trabalho: doméstico, intelectual, catequese de crianças e adolescentes, atendimento a pessoas que procuram as monjas para uma orientação, trabalho rentável para manutenção da comunidade.

Neste setor há diversas oficinas: de paramentos e alfaias em geral, cópia artística de textos, licor, fabricação de pão caseiro, picolé, etc., e venda de artigos religiosos, respirando em tudo a palavra de São Bento no capítulo sobre o trabalho: “Para que em tudo seja Deus glorificado”.

VOCAÇÃO

“E procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo ao qual clama, diz ainda: “Qual o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes? O que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor a convidar-nos?”. ( Prólogo, Regra de S. Bento)

O chamado para a vida monástica é despertado em cada uma pelo próprio Deus. Através da renúncia de si, a monja vive não só para Deus, mas de Deus e em Deus.

A resposta a esse chamado é dada por cada uma com a mesma generosidade, em meio às circunstancias mais diversas, e muitas vezes de modo bastante edificante.

Formação Monástica
Ao entrar num mosteiro, após um período de experiência, a futura monja deve passar por três estágios que lhe ajudarão a ter pleno conhecimento do chamado de Deus. O primeiro estágio é o postulantado, período de tempo variável e inclusive dispensável. Logo após ela inicia o noviciado (por 2 anos) e por fim a profissão temporária (3 a 9 anos), sendo que esses dois são essenciais para a consagração monástica. Para atingir a consagração monástica a monja deve estar consciente de sua opção por viver segundo o princípio da Sagrada Escritura, ou seja, o amor e a fé em Cristo Ressuscitado; além de uma opção consciente por militar segundo a Regra de Nosso Pai São Bento.

Para atingirmos esse grau de consciência, as futuras monjas tem à sua disposição uma biblioteca e uma série de cursos fixos, como por exemplo, Liturgia, Canto Gregoriano, Sagrada Escritura, Espiritualidade e História Monástica, História e Doutrina Cristã, Santa Regra e Vida de São Bento; além disso, existem conferências esporádicas que são ministradas por leigos, presbíteros ou monges.

Toda essa formação tem como objetivo educar as futuras monjas para adquirirem um “olhar de fé” e poderem tratar as pessoas e objetos do mosteiro como “vasos sagrados do altar”, segundo palavras de Nosso Pai São Bento.

MOSTEIRO DA SANTA CRUZ

Nosso mosteiro foi fundado há 46 anos, no dia 13 de junho de 1960, pela Abadia de Santa Maria, S. Paulo, tendo sido sua terceira fundação. De lá foram enviadas oito monjas, com a Revda. Madre Benita Enout, nomeada Prioresa pela Abadessa fundadora, Madre Rosa de Queiroz Ferreira. Em 21 de setembro de 1977, foi erigido em Abadia, e Madre Benita Enout, eleita pela comunidade para sua primeira abadessa, governou o mosteiro até 1989, quando, em obediência à nossas Constituições, resignou, por ter atingido o limite de idade estabelecido. Para substituí-la foi eleita Madre Paula Iglésias, nossa segunda e atual abadessa.

Em 1993, nosso mosteiro fez a sua primeira fundação em Rio Branco, no Acre, para onde foram enviadas quatro monjas.

Desde o princípio, a comunidade procurou se manter com o trabalho das próprias mãos, não sem muita dificuldade. A partir dos anos 70, foi implantada pela nossa atual abadessa, uma pequena gráfica, especializada em assuntos monásticos e religiosos, bem com a edição da Revista Beneditina, de Espiritualidade Monástica, que garantem uma parte da manutenção da comunidade. Outras provém do trabalho artesanal: fabricação de doces, geleias, polpas, biscoitos, etc. e do próprio terreno onde há pomar e horta, além de uma boa plantação de café e frutas. Dispomos ainda de uma fonte de água muito pura que não só abastece o mosteiro como ainda é fornecida gratuitamente a quem no-la pede.

Nosso mosteiro fica situado numa colina, num bairro residencial, não longe do centro da cidade, o que faz com que seja ao mesmo tempo afastado e próximo “do mundo”.

Nossa Missa diária é sempre cantada em gregoriano e conta com a participação de alguns leigos, entre os quais um bom número de oblatos.

HISTÓRIA DO MOSTEIRO NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA

Tudo começou no dia 25 de janeiro de 1992. Na festa da Conversão de São Paulo, um telefonema da parte do Arcebispo Dom Clovis Frainer, informava da chegada, em Juiz de Fora, do Sr. Bispo de Rio Branco para conversar com Madre Paula, Abadesa do Mosteiro da Santa Cruz.

Recebido no parlatório pela Madre, Dom Moacyr foi logo expondo à Madre o motivo de sua visita: o seu desejo e também de toda a sua Diocese de acolher uma comunidade contemplativa em Rio Branco. Disse ainda que era um sonho acalentado há 20 anos, desde que assumiu a Diocese. E insistia em dizer que não as necessitava para a pastoral, pois cerca de 70 religiosas já faziam esse trabalho na Diocese, com muito empenho e eficiência. Ele desejava uma comunidade que “por sua vida de oração, fosse um centro de acolhimento, atração e de irradiação em toda a Diocese, um espaço onde todos pudessem ser acolhidos para um aprofundamento espiritual, uma escuta mais atenta da Palavra de Deus”. Mas não escondeu também as dificuldades da região: a infraestrutura precaríssima, o calor intenso, os conflitos de terra, desemprego, violência, pobreza imensa, etc. Por outro lado, também falou de riqueza: o povo de Deus, formado em sua maioria por migrantes cearenses, pessoas simples, pobres seringueiros, colonos e índios. Gente de fé viva, generosa, operante.

A Madre Paula ouviu tudo atentamente, mas simultaneamente, ia formulando um jeito de negar logo o pedido. Assim, quando Dom Moacyr terminou, ela começou por alegar sua inexperiência para uma fundação, depois o número reduzido da Comunidade, as distâncias enormes (4.000 km. do Rio de Janeiro), o calor e muitas outras desculpas que se forjam quando se depara com caminhos imprevistos.

A cada uma das objeções, porém, Dom Moacyr retrucava com palavras cheias de sabedoria, tiradas do Evangelho ou da sua experiência de pastor e mestre de vida espiritual. Dom Moacyr pediu para conversar com a Comunidade. A Madre, um pouco constrangida concordou, mas foi adiantando que a Comunidade, com toda a certeza, não aprovaria uma “loucura dessas”.Sem preâmbulos Dom Moacyr foi logo explicando o motivo de sua visita à Comunidade, e com grande espanto, a Madre viu que o interesse das irmãs ia aumentando, à medida que Dom Moacyr ia expondo seus motivos. Perguntaram sobre a região, sobre a Igreja do Acre, sobre o próprio Dom Moacyr, etc.

A Madre, calada e muito comovida, acompanhava atentamente todas as reações da Comunidade. Saindo do parlatório, tinha-se a impressão de que um incêndio se alastrara pela Comunidade: era o fogo do Espírito de Deus, que impulsionara Paulo, e que agora também impulsionava a Comunidade de Santa Cruz: evangelizar segundo o carisma monástico….

A partir daí não se falava mais em outro assunto. Refletiram, rezaram, conversaram. Numa última reunião, a Madre pediu para que todas escrevessem se estavam dispostas a assumir a fundação e se estavam disponíveis para a mesma. O desejo da Madre era que toda a Comunidade assumisse e não só aprovasse a fundação. Assim, o compromisso seria maior. O resultado foi além da melhor expectativa: Todas assumiram, e oito se declararam “disponíveis”. Dessas oito, apenas quatro seriam as escolhidas.

Numa segunda visita no Mosteiro, Dom Moacyr, esperava a resposta. Fizeram várias reuniões com ele e não cessavam as perguntas. Da parte do Sr. Bispo nada mudara: “ele continuava a afirmar seu desejo de ter uma casa contemplativa, segundo o carisma beneditino e garantia -era esse o ponto mais fundamental para a Comunidade- a celebração eucarística diária”.

No dia 27 de abril, fez-se a reunião capitular para votação deliberativa. Dom Moacyr ficou rezando o tempo todo na Capela. Feita a votação, surpreendentemente, houve não só unanimidade no assumir a fundação, mas também uma alegria contagiante, “um só coração e uma só alma…”

Imediatamente foram ao encontro de Dom Moacyr para lhe transmitir a alegre notícia. Ele irradiava felicidade: “Deus ouvira sua oração”.

E as escolhidas entre as que se apresentaram voluntárias, foram: Ir. Maria de Fátima Justiniano, Prioresa; Ir. Escolástica Uchoa, sub-prioresa; Ir. Joana Fajardo; Ir. Maria Salete Pessanha.

No dia seguinte, porém, a Madre pensava consigo mesma: “E agora meu Deus? Tudo estava tão bom! A casa cheia de jovens, a Comunidade tão bem! Por que justamente agora?”. São os mistérios de Deus que ficam sem resposta, no plano meramente humano… Mãos à obra, pois!

E aí começaram as visitas a Itacoatiara, para conhecer outra fundação beneditina; a Rio Branco, para conhecer a realidade e os possíveis lugares da edificação do Mosteiro; as licenças oficiais para a fundação, tanto com a Ordem beneditina, como com a Congregação para a Vida Consagrada; os preparativos materiais para a fundação…

Dom Moacyr, como Bispo da Diocese, garantia e comprometia-se: “O Mosteiro será fundado tendo em vista a utilidade da Igreja e do Instituto e garantindo o que se requer para que a vida religiosa dos membros seja devidamente vivida de acordo com os fins próprios e o espírito do Instituto. O Mosteiro a ser fundado em nossa Diocese fará parte da Congregação Beneditina do Brasil e estará sob a jurisdição do Abade Presidente quanto ao que está estabelecido nas suas Constituições. A princípio, como casa dependente, o Mosteiro será governado pela Mª Abadesa do Mosteiro da Santa Cruz, através de uma Superiora. Ciente destas normas e procurando ver os sinais que a Providência tem mostrado, expressa a Vontade de Deus sobre esta Obra, nos comprometemos a assegurar à fundação a assistência espiritual para a Missa diária no Mosteiro e a escolha de um sacerdote para atender as confissões, periodicamente”.[1]

A Madre Paula Iglésias, Abadesa, solicitou a licença à Congregação para os Institutos de Vida Consagrada dizendo: “O Mosteiro terá condições favoráveis para o seu desenvolvimento material e espiritual, esperando encontrar um trabalho compatível com a vida monástica para a própria manutenção. O Revmo. D. Abade Presidente Basílio Penido, OSB, com o seu conselho já nos concedeu a sua aprovação, bem como o Capítulo de nosso Mosteiro e a Coordenadora da Assembleia das Monjas, Revda. Madre Maria Teresa Amoroso Lima, OSB”.[2]

A aprovação da Congregação não demorou, e assim no dia 14 de outubro de 1992, chegou o Decreto com a licença para a fundação do Mosteiro na Diocese de Rio Branco.

Contou-se desde o início com a colaboração do Pe. José Maria Fumigalli, monge-eremita, experiente construtor, que assumiu a construção, depois de Dom Moacyr, através de projetos e amigos, conseguir os recursos necessários para a mesma. O local escolhido foi um terreno na estrada do Calafate, lugar ideal para um Mosteiro que queria contar com o silêncio e a paz para sua vida monástica.

A imprensa de Juiz de Fora se fez eco da notícia da nova fundação do Mosteiro da Santa Cruz, publicando o seguinte: “A partida das monjas no dia oito será ocasião para que todos os amigos do Mosteiro da Santa Cruz -sacerdotes, religiosas e leigos, em particular as oblatas- possam não só apresentar-lhes suas despedidas, mas viver este acontecimento eclesial: é toda a Igreja de Juiz de Fora que, através desse gesto, é enviada a partilhar a vida religiosa com a Igreja Irmã que está em Rio Branco. Aqui fica, pois o convite a todos os que valorizam um acontecimento como este que irá repercutir de modo especial em toda a Igreja latino-americana, participar da cerimônia da bênção da Cruz do novo mosteiro e envio das quatro monjas, durante o Ofício de Vésperas, às 16,30 horas, no dia oito”.[3]

A cerimônia de despedida, presidida pelo Arcebispo de Juiz de Fora, Dom Clovis Frainer, transcorreu com muita unção. Dom Clovis, nesse dia histórico, disse as seguintes palavras: “A Cruz é sinal de dor e de alegria. Vocês já vivem enraizadas no mistério da Santa Cruz, agora são chamadas a viver a dor e alegria que dela brotam. Dor pela saudade, pelo convívio fraterno e acolhedor que sofre a separação; alegria porque a Cruz traz consigo a fecundidade; é dela que nasce a vida! Por isso toda a nossa Igreja vibra de alegria porque o Mosteiro da Santa Cruz, com esse gesto, mostra toda a sua fecundidade: ele tem vida e leva de sua vida à Igreja do Acre!”. Ele ainda encorajou o grupo fundador, assegurando-lhes a oração de toda a Diocese, acompanhando-as na nova etapa. Terminada a homilia, procedeu-se à bênção da Cruz da fundação. Esta Cruz, acompanharia o grupo fundador, e foi doada por D. Isabel Villaça ao Mosteiro da Santa Cruz e estava no altar provisório quando as irmãs fundadoras chegaram a Juiz de Fora.

A chegada das monjas ao Acre foi uma notícia que atraiu a atenção de todos. Até a imprensa mostrou-se receptiva diante do que nunca tinham visto. Um Mosteiro onde as monjas nunca iriam sair estranhava demais à população que falavam toda classe de “fofocas” sobre elas.

Num jornal da época, numa página “Ilustrada” aparecia a notícia: “O primeiro mosteiro do Acre, construído no quilômetro três da estrada do Calafate, irá abrigar as monjas Beneditinas. Ele será inaugurado no domingo, durante os festejos do dia de Nossa Senhora de Nazaré, a Padroeira da Catedral de Rio Branco. Depois da missa celebrada na Catedral por Dom Moacyr Grechi por volta das 6,30 horas, será realizada uma caminhada dos fiéis com o Círio de Nazaré. Essa caminhada seguirá até o mosteiro, onde o Bispo dará a bênção do início da vida das monjas no local. O mosteiro recebeu o nome de Santa Maria da Esperança. Segundo as Beneditinas, esse nome foi dado em lembrança que Santa Maria foi quem trouxe a esperança ao mundo, quando gerou seu Filho Jesus Cristo”.[4]

Além de fotos, e comentários exaustivos sobre a vida de oração das monjas o jornalista comentava: “As monjas beneditinas estão há 16 dias no Estado. Vieram de Juiz de Fora-MG, para instalação de um mosteiro, a pedido do bispo Dom Moacyr Grechi. As quatro monjas estão hospedadas no Centro de Treinamento da Diocese, próximo ao Teatrão. (…) A Irmã Maria de Fátima explicou que elas se comparam à raiz de uma árvore que não aparece, mas é quem a sustenta. As Beneditinas, junto com outras irmãs de vida contemplativa são quem dão sustentação à Igreja e à humanidade, na fé, através de suas fervorosas e constantes orações. (…) Ao conhecer a vida das monjas Beneditinas a primeira coisa que se pensa é na vida rotineira que elas levam. Dificilmente elas veem televisão, leem jornais ou saem do mosteiro. A maior leitura é a Bíblia. Mas elas são categóricas em afirmar que suas vidas não são uma rotina. ‘Cada dia é único para gente, ele não se repete. Podemos fazer a mesma coisa todos os dias, mas ele sempre será rezado de maneira diferente. Porque Deus é infinito, é uma fonte de amor inesgotável. Além disso rezamos os salmos em nome de nossos irmãos e neles nós colocamos o sentimento e necessidades da humanidade, por isso estão sempre se renovando’, diz a Irmã Maria de Fátima. Ela acrescenta que em cada momento de dificuldade vivido pelos povos, estão rezando para que Deus o resolva. E citou as guerras, a fome e os problemas políticos que os países enfrentam”.[5]

E, por fim, depois de todos os preparativos, limpezas e adequações para a vida monástica, o Mosteiro estava pronto para ser habitado pelas monjas. O dia 10 de outubro de 1993, festa de Nossa Senhora de Nazaré, foi o dia escolhido para a bênção do novo Mosteiro Nossa Senhora da Esperança. A caminhada desde a Catedral até o Mosteiro, acompanhadas por mais de 3.000 pessoas de todas as faixas de idade e condição social, foi longa e sacrificada, cantando louvores à Virgem e rezando os mistérios do rosário nas mais variadas intenções. Na chegada ao Mosteiro, Dom Moacyr, desde um caminhão, que servia de palanque, dirigiu ao povo algumas palavras sobre o acontecimento e sobre o significado desse Mosteiro para a Diocese: “A Igreja local, representada por aquele povo, queria colocar as monjas em sua casa, onde, a partir desse momento iriam servir a Deus”. A Madre Paula, emocionada, também disse nesse momento: “Confio minhas filhas à Igreja de Rio Branco, e conto com o apoio desta Igreja para fazer elas santas, vivendo o carisma de monjas beneditinas”. Dom Moacyr aspergiu o Mosteiro com água benta, rezando a bela oração para a bênção de uma casa religiosa, e a partir desse momento começou a nova vida do Mosteiro Nossa Senhora da Esperança, na Diocese de Rio Branco.

No ano seguinte, já experimentada a nova vida, a Ir. Escolástica escrevia para o Mosteiro de Santa Cruz: “Os sacrifícios inerentes à fundação, tem sido compensados. Sentimos fortemente aqui a solidariedade. Aliás, nos explicaram que sem esta solidariedade, torna-se impossível sobreviver neste ‘fim de mundo’”.[6]

E alguns anos depois, “Numa celebração solene, a Igreja do Mosteiro Santa Maria da Esperança, foi consagrada no dia 09 de agosto de 1997. O celebrante foi Dom Moacyr, com mais dez sacerdotes concelebrantes”.[7]

A clausura não é um afastamento do povo, mas uma condição para melhor preservar os valores da vida contemplativa, no serviço e na oração pelos irmãos.