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CATEQUISTAS FRANCISCANAS

CATEQUISTAS FRANCISCANASA história da Congregação começa com uma história de coragem com o Lar, doce lar de Carlos Avosani e Conegundes (Radegonda) Nolli Avosani, pais de Amábile e Maria Avosani e Santo Venturi e Matilde Cipriani, pais de Liduína Venturi, que, como italianos religiosos permitiram que suas filhas atendessem ao chamado do Mestre: – Vem! Preciso de ti.

Elas ouviram o chamado de Deus, através do apelo de frei Policarpo Schuhen, para atuarem como professoras e catequistas nas escolas estaduais e comunidades, deixando a família, mãe, pai, irmãos, amigos e o aconchego do lar.

Em seus corações devem ter ocorrido as perguntas:

–Mestre, onde moras? Mestre, onde estás?

–No meio do povo, vem e verás!

Com inquietude, mas com confiança, humildade e firmeza no seu interior devem ter dito: Aceito partir e vou seguir-te, Bom Mestre!

– “Senti no meu coração um grande desejo de colaborar”, disse Amábile Avosani.

– “Um ano não, padre! Nós queremos ficar para sempre!, disse Maria Avosani.

– “Também vou com vocês, pois Deus, nosso Deus é muito cordial”, disse Liduína Venturi.

Para seguir Jesus, a pessoa deve estar disposta a duas coisas: Correr o risco da insegurança sobre o futuro e estar pronta para não adiar o compromisso. Isto é o que elas fizeram! Sem se preocuparem, confiando, a resposta foi, Sim!

Conheciam o fato bíblico:“…Então um doutor da Lei se aproximou de Jesus e disse: Mestre, eu te seguirei, aonde quer que fores”. Jesus lhe respondeu:“As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos. Mas o Filho do Homem, não tem onde repousar a cabeça”(Mt8,19-20).

Elas também não tinham casa para morar. Foram acolhidas por um tempo no Colégio “Menino Deus” das Irmãs da Divina Providência, em Rodeio, SC. Irmã Clemência Beninca as tomou sob seus cuidados, a pedido de frei Polycarpo, e as preparou para a Vida Apostólica, tomando como exemplo Jesus, que passou 40 dias no deserto antes de começar sua missão.

Amábile, depois de dois meses de preparação no Convento “Menino Deus”, partiu para Aquidaban, hoje Apiúna, no dia 04 de agosto de 1913, para trabalhar junto ao povo e foi morar na casa da a família do Sr. Luiz Cerutti, que frei Modestino Oecktering, autor da ideia inspirada por Deus de colocar mulheres para trabalhar como professoras nas escolas, já havia providenciado, distante dois quilômetros da escola.

No ano seguinte, Amábile se hospedou na casa do Sr. Giovanne Cereale. Em 1915 foi morar na casa que o povo lhe fez junto à escola.

Maria Avosani e Liduína Venturi, em 1914, permaneceram seis meses no Convento “Menino Deus”, preparando-se com a abnegada Irmã Clemência e, em janeiro de 1915, partiram acompanhadas de Amábile e frei Polycarpo Shuhen para a localidade de São Virgílio, Rodeio. Lá assumiram os trabalhos escolares e comunitários. Hospedaram-se na casa do Sr. Giosepe Tambosi, que frei Polycarpo, conhecido como fundador da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, havia-lhes providenciado.

A casa, como em Apiúna, também ficava a dois quilômetros da escola e elas iam dar as aulas, todos os dias, a pé e descalças. Um grupo de crianças sempre as acompanhava, curiosas para saber que histórias iriam ouvir no dia e com sede de aprender.

Tanto em São Virgílio como em Apiúna, as famílias que as acolheram em suas casas eram numerosas e elas passaram a conviver como filhas, ajudando em todos os trabalhos da casa, inclusive os da roça, para o seu sustento.

Nessa casa, as Irmãs Maria Avosani e Liduína Venturi moraram por dois meses, até que ficassem prontos dois cômodos junto à escola.

Na escola o serviço era intenso. Bonito é saber que em meados de maio, ela stiveram a ajuda alegre da filha de Giosepe Tambosi, Ana Tambosi, que logo integrou o grupo dedicando-se ao serviço do Reino.

Ainda em fevereiro de 1915, mais moças entraram e outras casas foram abertas:Diamantina, Rodeio 32. No final de 1915 já eram nove Irmãs e no final de 1916 o número subiu para vinte e uma.

As jovens se reuniam de quinze em quinze dias no Convento “Menino Deus” onde buscavam formação e apoio. Passavam também finais de semana e férias.

Percebendo a necessidade de uma sede própria rezaram e entregaram as suas aflições a Deus. Ele providenciou!

O casal João Cereale e Maria Monteverdi Cereale, que hospedara Amábile em 1914 e que lhe tinha um carinho todo especial, apreciava demais o trabalho que as jovens Irmãs desenvolviam nas Capelas da Paróquia de Rodeio.

Conversando entre eles de que as jovens professoras não tinham casa própria, pensando na velhice deles e o fato de não terem filhos, tomaram uma grande decisão: vender tudo o que tinham em Apiúna, e em combinação com Frei Policarpo Schuhen, seu amigo, compraram uma casa antiga e modesta, em Rodeio, mobiliaram-na e a cederam àsIrmãs.

Para tanto, ficou combinado que eles cederiam a casa em troca de serem cuidados até amorte, pelas Irmãs, e que estas seriam donas da propriedade. Verdadeira parceria.

Assim, a partir do começo de 1916, as Irmãs ganharam a sua primeira casa, local para as férias, encontros, trocas e soma de experiências e principalmente o aconchego do lar, doce lar.

Começou-se a construção de uma casa maior com a ajuda do povo de Rodeio que ficou pronta em 1917.

Essa casa, até1926, funcionava também como asilo para doentes e pessoas idosas, sob os cuidados carinhosos das Irmãs Catequistas.

Verdadeiramente deixaram de ser dos seus, para ser do povo. “Sejam Irmãs do povo”, repetia o fundador Frei Polycarpo Schuhen.

Hoje, a Congregação busca “Tecer caminhos de itinerância e irmandade num mundo em movimento”, com a esperança de torná-lo melhor, mais justo e fraterno.

Missão na Amazônia

As Irmãs Catequistas Franciscanas chegaram ao Território de Rondônia, em 15 de Agosto de 1969, respondendo ao apelo de D. João Batista Costa para ajudar a Igreja na organização das comunidades, formação de lideranças e da catequese.

Imbuídas pela ação missionária da Igreja, descrita pelo Concilio Vaticano II, e pelo entusiasmo missionário da própria Congregação, ao chegar na Amazônia se colocaram, em primeiro lugar, numa atitude de escuta, para depois começar a responder aos clamores da realidade. Foi com esse objetivo que as Irmãs da Província Imaculado Coração de Maria resolveram estender sua atuação para além do Estado de Santa Catarina.

O planejamento das atividades das Irmãs se embasava no conhecimento da realidade local para não “incorrer no erro de implantar uma mentalidade sulista, fora da realidade”. Com esses conhecimentos e, ouvindo os apelos da realidade, as Irmãs, colocaram em prática as decisões do Capítulo Geral de 1968, o de “estar com o povo, inseridas nas comunidades, marcando presença entre os pobres”. Tendo sempre presente os apelos do capítulo, o programa das Irmãs para o ano de 1969 consistiu em aproximar-se o mais possível da realidade local.

Procurando responder aos apelos dos sinais dos tempos e da realidade local as Irmãs assumiram também o serviço da educação nas escolas públicas. Esse trabalho, além de fazer parte do carisma da Congregação, era também uma garantia do auto sustento das Irmãs na missão e testemunho evangélico exigido pela espiritualidade franciscana.

A experiência em Porto Velho serviu de base para a atuação nas novas frentes missionárias. Contudo, os serviços de evangelização foram organizados conforme as necessidades e exigências da realidade, em sintonia com a Igreja local. Os pedidos de abertura de fraternidades de Irmãs em outras dioceses vinham acompanhados de uma lista de necessidades a serem atendidas: formação de catequistas, professores e lideranças de comunidades, como também a organização de associações, movimentos e da pastoral da saúde, da criança, da mulher e da juventude.

Assim, em 1974, no dia 01/02/74, as Irmãs Catequistas Franciscanas foram assumir uma missão em Guajará-Mirim-RO, atuando junto às lideranças e comunidade local.

A realidade de Rondônia, Acre e Amazonas marcada pela ocupação e crescimento desordenado e por outros problemas, assim como a carência de lideranças preparadas para atender às comunidades, levou a Congregação das Catequistas Franciscanas a abrir novas comunidades nas dioceses de Guajará-Mirim, Ji-Paraná e Porto Velho.

No ano de 1987, a pedido de Dom Moacyr Grechi, bispo de Rio Branco, três Irmãs assumiram o desafio de viver num pequeno povoado do interior do Acre, em Assis Brasil, passando a maioria de seus dias na companhia dos povos da mata, os seringueiros.

Esse é um capitulo de muita coragem e ousadia, pois as Irmãs teriam que necessariamente se despojar de seus costumes e entrar numa outra dinâmica de vida: a dos povos da mata. Rede em vez de cama, cavalo em vez de carro ou bicicleta, imensas caminhadas a pé com mochila nas costas, alimentação completamente diferente e em horários diferentes, um povo quieto e contemplativo em vez de falante e gesticulador como o do Sul.

Posteriormente, em 1994, as Irmãs abriram uma novamissão no Acre, em Senador Guiomard, colaborando na Catequese, Grupos de Evangelização, CPT, Centro de Defesa Direitos Humanos, atendimento à periferia e interior, Formação de Líderes, Educação e Pastoral da Saúde.

Província Irmã Amábile Avosani.

Para facilitar o trabalho das Irmãs junto ao povo amazônico a Província Imaculado Coração de Maria, com sede em Blumenau–SC, acolheu a solicitação das Irmãs para a criação de uma província local, visto que a Congregação na região amazônica já tinha uma caminhada com características muito peculiares.

Além disso, uma presença mais estável das Catequistas Franciscanas naquela realidade conferia maior segurança e apoio ao povo e aos líderes locais, visto que as Irmãs assumiam suas lutas e anseios como causa própria. (Assembleia Anual da Província, Set/1996).

Assim, por ocasião do XXI Capítulo Geral Ordinário, em Curitiba-PR, de 6 a 15 de outubro de 2000, as capitulares aprovaram a criação da nova Província, denominada Província Irmã Amábile Avosani.

Na primeira assembleia realizada na Sede da Província, em Porto Velho, nos dias 20 a 24 de abril de 2002 as Irmãs elaboraram o seu projeto de ação, os objetivos e prioridades. Assim se expressavam: “Nosso compromisso é assumir a missão junto aos excluídos e excluídas na Amazônia, à luz da espiritualidade francisclariana, na ótica da mulher, priorizando o cultivo da irmandade universal (novas relações), interculturalidade (encarnação, novo rosto amazônico), ecologia (defesa da vida e biodiversidade), parcerias e projetos alternativos, organização interna (regulamento, atribuições, projetos)”.

É desse modo que as Catequistas Franciscanas querem continuar armando sua tenda em terras amazônicas, assumindo como próprias as lutas do povo, fazendo caminho com eles, para chegar à plena realização do Reino de vida, regada com amor, acolhida e solidariedade. Para chegar a isto se faz necessário também estar atentas para perceber onde a vida se encontra ameaçada e clamando por socorro.

Adentrar no contexto geográfico, histórico, social, cultural, político, econômico e eclesial desta região, permitiram compreender a necessidade de uma ação evangelizadora que leve a vida em todas as suas dimensões e identificar onde esta sendo mais carente e ameaçada.