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Hospital Santa Juliana

O Hospital Santa Juliana surgiu como resposta às necessidades de saúde da população da capital e do interior do Estado, na periferia de Rio Branco.

O Hospital Santa Juliana foi construído para 65 leitos.

Nos anos 1967-1968 multiplicaram-se os esforços para o acabamento do mesmo. Nele trabalharam os jovens missionários italianos Paolo Barbieri e Giorgio Chiussi, que generosamente vieram dar alguns anos de suas vidas à Missão.

Alguns testemunhos escritos nos deixaram estas notícias: “Terminados os trabalhos, a construção de um só andar, três pavilhões unidos por um corredor central. Pronto para receber de 80 a 100 pacientes. O primeiro diretor foi o Dr. José Cerqueira, ajudado por 05 irmãs Servas de Maria Reparadoras e que por sua vez eram ajudadas por um grupo de enfermeiras de Rio Branco. Um jovem voluntário de Ancona, MássimoMingarelli, era o administrador”.[1]

“Em 1968, como resultado de toda essa atividade, temos a inauguração do Hospital Santa Juliana, a 05 de outubro, com a presença do Sr. Cardeal de São Paulo, Dom Agnelo Rossi, do Sr. Bispo de Parintins, Dom Arcângelo Cerqua, do Brigadeiro Afonso Belo, da Força Aérea Brasileira, do Governador de Estado Jorge Kalume e de uma representação de cinco Deputados Federais e de muita gente do povo para quem o Hospital fora construído. As Irmãs Servas de Maria Reparadoras seriam as diretoras e enfermeiras do Hospital. Na véspera, sob o comando do ilustre piloto Frei Dionísio Mandaio, chegava o bimotor da fábrica “Dornier” da Alemanha, fruto de mais uma campanha do Pe. Heitor Turrini na Europa. A finalidade do avião, como já acenamos, era o de tirar os centros missionários do isolamento num tempo em que as estradas só existiam em sonhos no Acre. Outra finalidade era o de providenciar um transporte mais confortável e rápido para os doentes graves”.[2]

A imprensa local fazia-se eco da grande notícia para o bem de todo o povo acreano e amazonense: “No dia 5 de outubro do corrente mês, registrou-se o maior evento jamais observado no Acre, promovido por entidade particular em favor de sua população. É que os Padres e Irmãos religiosos da Ordem dos Servos de Maria, nesse dia, inauguraram na Capital acreana, um Hospital de clínica geral com capacidade para 100 leitos. Maior, portanto, do que a soma de todas as iniciativas governamentais neste setor, em todo o Estado do Acre, de 1964 a esta data, isto é, no período do chamado Governo Revolucionário. É de se ressaltar nesta obra, o significado simbólico do idealismo e da força dinâmica de uma liderança religiosa, que procura combater ideias esdrúxulas não com palavras ocas e epítetos desmoralizados, como ‘subversivos’, ‘corruptos’, ‘comunistas’, mas com atos e realizações materiais palpáveis que possam ser relicário da esperança, contribuindo para a saúde do corpo e a evolução da alma. Dom Giocondo Maria Grotti, Bispo prelado do Alto Purus e Acre, à frente de uma plêiade de religiosos e leigos, sacerdotes, irmãos e beatas, conseguiram evidentemente pela inspiração cristã do Criador, congregar a disposição positiva de toda a população riobranquina na concretização dessa magnífica obra médico-social, que é o Hospital Santa Juliana, de Rio Branco. Ainda mais, fora do Estado e além das fronteiras do nosso país, ecoam o calor e a voz dos Padres Missionários Servos de Maria, como as trombetas de Josué ao entrar com o povo hebreu em Canaã”.[3]

O Hospital, portanto, começou sua caminhada, em meio a grandes dificuldades, próprias da realidade acreana daqueles anos.

Nas palavras de Dom Giocondo[4], bispo da Prelazia, podemos entender um pouco daquela realidade, da década de sessenta:

A Saúde é um mito!

- Faltam condições para uma vida sadia: Alimentação fraca; falta de educação sanitária; falta de tratamento da água; falta de esgotos, etc.

     – O atual sistema (o mesmo de 20 anos atrás) concentra-se todo na capital e conta com: um hospital de clínicas com 50 leitos; uma maternidade com 48 leitos; uma Santa Casa com 30 leitos para crônicos; um Hospital infantil para 40 leitos; um Hospital particular para 80 leitos (Prelazia).

     – No interior é raro encontrar um médico ou um posto de saúde em atividade normal.

     – Além da falta de pessoal técnico (médicos): há falta de recursos (tudo funciona precariamente!); há falta de auxiliares (enfermeiros) que normalmente se tornam enfermeiros por “decreto” e não por “diplomação”!.

     – E o resultado está à vista: um povo doente; um governo que não atinge nem 25 % da área!.

Bastem estes números para formar uma ideia:

                   – Analfabetismo: 60% abundante.

                   – Lepra: 1% abundante.

                   – Tuberculose: 4 %.

                   – Avitaminose: 80 %.

                   – Verminose: 100%!…

O objetivo principal do Hospital Santa Juliana foi sempre atender os pobres, os excluídos e deserdados da sociedade.

Essa obra social, que começou pelo ano de 1969, por iniciativa de Dom Giocondo e da Ordem dos Servos de Maria, e que teve sempre a presença valiosa das Servas de Maria Reparadoras, realizou uma grande missão na sociedade acreana, difícil de avaliar com critérios humanos.

Eram tempos difíceis para a saúde pública, e a Igreja, sempre atenta às necessidades dos seus filhos, soube dar uma resposta sumamente valiosa com sua presença e seu saber estar ao lado dos mais pobres e desprotegidos da sociedade. Ao longo de todos esses anos, sempre foi um testemunho de seu trabalho calado e humilde ao lado dos mais fracos e doentes.

Nos últimos tempos, por iniciativa de Dom Moacyr Grechi, e a colaboração da “Fondazione Marcello Cândia”, o Hospital renovou sua cara e suas instalações, e também com um renovado espírito se colocou a disposição para continuar com o trabalho de servir a todos, especialmente os mais carentes e necessitados da sociedade acreana.

A história atual do Hospital Santa Juliana não se poderia entender sem a contribuição generosa que a “Fondazione Marcello Cândia” ofereceu ao mesmo.

O Servo de Deus Marcello Cândia, através da Fundação que leva seu nome, fez possível essa obra magnífica, que hoje todos podem contemplar, para alegria daqueles que são tratados e atendidos em suas instalações.

            O espírito de Marcello Cândia, ainda muito vivoe presente dentro do Hospital, cheio de amor e paixão missionária, o fez viajar desde a Itália até o Brasil, porque “intuiu que a Deus pode-se dar tudo, somente quando se compreende que tudo é Dele”.

Ele sempre deu o melhor de si aos mais pobres.

Esse é, portanto, o fim e o objetivo principal do Hospital Santa Juliana: atender aos pobres, aos excluídos e deserdados da sociedade.

Ele acostumava falar: “É impossível que o Senhor nos abençoe porque não nos queremos bem”.

Assim, no dia 13 de maio de 2000 foi a inauguração da primeira fase da reforma e ampliação do Hospital Santa Juliana. Dia grande e dia de festa, em que puderam ver-se as maravilhosas obras realizadas, depois de vários meses de intensos trabalhos, graças à ajuda recebida da “Fundazione Marcello Cândia”.

E, no dia 8 de julho de 2008 foi ainauguração do auditório e vários anexos, sendo a última parte a ser construída, para completar toda a estrutura e modernização do Hospital Santa Juliana.

 

[1] A. Pistoni, Ospedale Santa Giuliana, in “Il Servo di Maria”, 11, Bologna 1969. Pág. 11-14.

[2] Pedro Martinello. História da Igreja do Acre e Purus 1920-1975. “Uma Missão na selva amazônica”. Pág. 171 e 172.

[3]Periódico: “Tribuna do povo”. Ano I. Outubro de 1968, Nº 2. Rio Branco-Ac. Pág.. 1 – col. 3.

[4]Carta de Dom Giocondo M. Grotti, entregue ao Presidente da República, de visita ao Acre.

 Veja as fotos do HSJ




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